Conselho de Segurança da ONU, Gaza e os desafios da operacionalização do plano de paz: análise do Prof. Leonardo Trevisan

No Jornal da Record News da terça-feira, dia 18/11, o professor Leonardo Trevisan, do curso de Relações Internacionais da ESPM, analisou a aprovação, pelo Conselho de Segurança da ONU, do plano de paz para Gaza apresentado pelos Estados Unidos. Com 13 votos favoráveis e abstenções de China e Rússia, a resolução prevê o desarmamento do Hamas, a entrada de uma força multinacional, a reconstrução do enclave palestino e a formação de um governo transitório rumo à autodeterminação palestina. Trevisan destacou que o apoio internacional reflete o temor de que a atual configuração territorial se torne um fato consumado, consolidando a ocupação israelense e inviabilizando qualquer processo de paz sustentável.

O professor, contudo, chamou atenção para o principal obstáculo do plano: a sua operacionalização. Países árabes, europeus e os EUA já sinalizaram que não enviarão tropas; o Hamas rejeita o plano e a Autoridade Palestina aceita apenas parcialmente; e a política interna israelense, dominada pela extrema direita, dificulta concessões. Para Trevisan, o risco é que a resolução funcione apenas como uma resposta simbólica à comunidade internacional, sem mecanismos reais de implementação — e o resultado pode ser a cristalização de uma situação territorial que contraria o espírito das negociações de outubro e reduz as chances de uma paz duradoura na região.

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