O professor Leonardo Trevisan, docente de Relações Internacionais da ESPM, analisou no Prime Time da CNN Brasil os primeiros resultados das eleições chilenas e o cenário que se desenha para o segundo turno. Segundo Trevisan, o Chile — historicamente um dos países mais estáveis da América Latina — vive um processo de polarização inédito, marcado pelo avanço simultâneo de uma candidatura da ultradireita e de uma candidata ligada ao Partido Comunista. Essa radicalização, explica o professor, é reflexo de fatores recentes que alteraram profundamente a política chilena: crise econômica pós-pandemia, aumento da imigração irregular, avanço do narcotráfico e o crescimento da sensação de insegurança pública. Para Trevisan, o fato de até mesmo o Chile — tradicionalmente moderado — entrar nessa lógica é um sinal preocupante para toda a região.
O professor também destacou que o próximo governo enfrentará um Congresso majoritariamente de direita, independentemente de quem vença a disputa presidencial, o que tende a gerar forte tensão institucional. Questões estruturais, como a nova Constituição e políticas de segurança, devem dominar a agenda, mas propostas extremas — como mega penitenciárias no modelo salvadorenho ou a reintrodução da pena de morte — dificilmente serão aceitas pela sociedade chilena. Para Trevisan, o resultado preliminar indica um eleitorado movido principalmente pelo medo da insegurança e pela pressão migratória, inaugurando uma fase de instabilidade política com impactos diretos sobre o cenário latino-americano.



