A professora Mariana Oreng, especialista em finanças internacionais do curso de Relações Internacionais da ESPM, analisou na Jovem Pan News as recentes negociações entre Brasil e Estados Unidos após os encontros entre Mauro Vieira e Marco Rubio. Segundo ela, o prazo de dois a três meses para um acordo provisório é comum no processo diplomático, embora frustre setores afetados pelo tarifaço. Oreng destacou que esta etapa ainda é inicial, focada na definição do escopo das negociações, sem discussão técnica setorial, e que a pressão inflacionária nos EUA — especialmente em produtos como o café — torna o governo norte-americano mais sensível à revisão tarifária.
A professora também ressaltou que, apesar de as tarifas terem surgido de motivações políticas, o foco atual é estritamente comercial, embora Donald Trump busque extrair dividendos políticos do processo. Para avançar, será inevitável incluir autoridades da área econômica e representantes setoriais, já que tarifas médias de 10% podem continuar sendo impeditivas para alguns segmentos da exportação brasileira. Para Oreng, o caminho será a construção de um acordo com forte diferenciação entre setores, refletindo as especificidades da pauta exportadora do Brasil e o impacto dos preços sobre o consumidor americano.



