Em entrevista ao Jornal GloboNews – Edição das 18h, exibida em 24 de janeiro de 2026, a professora Natalia Fingermann, docente de Relações Internacionais da ESPM, analisou os desdobramentos políticos, sociais e institucionais da morte ocorrida durante uma ação do ICE (Immigration and Customs Enforcement) e os impactos mais amplos dessa atuação sobre a democracia norte-americana.
Segundo a professora, os episódios recentes indicam um agravamento profundo da crise migratória e institucional nos Estados Unidos. A prisão de uma criança de cinco anos, mencionada na entrevista, tornou-se um símbolo da escalada repressiva e provocou forte comoção social, levando milhares de pessoas às ruas mesmo sob condições climáticas adversas. Para Fingermann, tais ações extrapolam a política migratória e passam a atingir diretamente liberdades fundamentais, como o direito de ir e vir, a liberdade de expressão e a proteção dos direitos civis.
A professora destacou que o governo Trump tende a intensificar ainda mais o fortalecimento do ICE, tratando a política anti-imigração como eixo central de mobilização de sua base eleitoral. Esse movimento, segundo a análise, amplia a polarização interna e eleva o risco de confrontos sociais, especialmente em estados governados por democratas. A ausência de contenção efetiva por parte do Judiciário e o aumento de recursos destinados à agência migratória, aliados à redução de treinamento dos agentes, criam um ambiente propício à repetição de abusos e violações de direitos humanos.
No plano federativo, Fingermann observou os limites de atuação dos governos estaduais. No caso de Minnesota, apesar dos esforços do governador e do histórico recente de reformas na polícia local após o assassinato de George Floyd, o controle dividido do Legislativo e a presença do ICE reduzem a capacidade de resposta institucional. Ainda assim, a polícia estadual e a Guarda Nacional tendem a ser mobilizadas para proteger manifestações pacíficas e garantir direitos básicos da população.
A entrevista concluiu apontando para um cenário de crescente tensão social, no qual a sociedade civil — incluindo lideranças religiosas e organizações de direitos humanos — mantém resistência ativa, enquanto o governo federal sinaliza que não recuará de sua estratégia. Para a professora, os próximos meses serão decisivos para avaliar até que ponto as instituições norte-americanas conseguirão conter a erosão democrática em curso.



