Economia chinesa em desaceleração e resiliência estratégica: análise do professor Alexandre Uehara

No dia 19 de janeiro de 2026, o professor Alexandre Uehara, coordenador do curso de Relações Internacionais da ESPM, concedeu entrevista ao Pré Market, da Times Brasil CNBC, analisando os dados recentes da economia chinesa e seus impactos no cenário internacional.

Durante a conversa, Uehara destacou que a desaceleração do crescimento chinês no quarto trimestre — com alta de 4,5%, a mais baixa em quase três anos — já era amplamente esperada. Ainda assim, a China conseguiu cumprir a meta anual de crescimento de 5%, demonstrando capacidade de adaptação diante de um contexto marcado por fragilidade do consumo interno e elevada incerteza internacional.

Um dos pontos centrais da análise foi a resiliência do setor externo chinês. Apesar das tarifas impostas pelos Estados Unidos e das tensões geopolíticas, a China registrou recordes de exportação e um crescimento da produção industrial acima do esperado, indicando uma bem-sucedida estratégia de redirecionamento comercial para novos mercados, inclusive no Sul Global.

O professor também chamou atenção para os desafios estruturais enfrentados pela economia chinesa, como o enfraquecimento do mercado interno, o envelhecimento populacional, a queda da taxa de natalidade e os problemas no setor imobiliário e financeiro. Segundo Uehara, esses fatores limitam a expansão do consumo doméstico e colocam pressão sobre o modelo de crescimento do país no médio e longo prazo.

Por fim, a entrevista ressaltou que, em um ambiente internacional cada vez mais instável e menos previsível, a China tem ampliado suas relações econômicas com países como Brasil, Canadá e membros da União Europeia, muitas vezes em movimento inverso ao pretendido pela política externa norte-americana.

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