Entrevista com a Profa. Natália Fingermann analisa escalada no Oriente Médio e impactos globais do conflito

A professora de Relações Internacionais da ESPM, Natália Fingermann, participou do programa Tarde BandNews no dia 17 de março para analisar a recente escalada de tensões no Oriente Médio, marcada pela morte de uma liderança ligada ao Conselho de Segurança Nacional do Irã e pelos desdobramentos estratégicos envolvendo Estados Unidos, Israel e aliados.

Durante a entrevista, Fingermann destacou que, embora Estados Unidos e Israel apresentem superioridade militar no plano bélico, a eliminação de lideranças iranianas não implica, necessariamente, uma vitória estratégica no conflito. Segundo a professora, a estrutura política e militar do Irã é descentralizada, o que dificulta a desarticulação completa do regime e pode, inclusive, intensificar riscos de retaliação.

Outro ponto central abordado foi o enfraquecimento da OTAN diante da decisão de países europeus de não se envolverem diretamente no conflito. A análise sugere um cenário de fragmentação da aliança, influenciado por divergências estratégicas com os Estados Unidos e pela imprevisibilidade da política externa norte-americana.

A professora também ressaltou os impactos econômicos globais da guerra, especialmente no setor energético. O risco de interrupção no Estreito de Ormuz já provoca pressões inflacionárias e incertezas nos mercados internacionais. No caso brasileiro, embora haja alguma resiliência devido à produção interna de petróleo, setores como o agronegócio e o abastecimento de combustíveis já demonstram preocupação.

Por fim, Fingermann apontou que o conflito pode gerar rearranjos geoeconômicos relevantes, como o fortalecimento de novos fornecedores de energia, a exemplo da Nigéria, e a possível reativação da produção petrolífera na Venezuela, com implicações diretas para o equilíbrio de poder no sistema internacional.

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