Entrevista com a Professora Denilde Holzhacker sobre Davos, multilateralismo e a política externa dos EUA

Em entrevista ao Real Time, da Times Brasil CNBC,  no dia 21 de janeiro, a professora Denilde Holzhacker, docente de Relações Internacionais da ESPM, analisou os principais impactos do discurso de Donald Trump no Fórum Econômico Mundial de Davos. A avaliação destacou a continuidade de uma estratégia já conhecida: elevação deliberada da pressão política e econômica para, em seguida, abrir espaço à negociação — especialmente com aliados próximos.

Segundo a professora, o pronunciamento reafirmou o eixo central da política externa do segundo mandato: a coerção econômica como instrumento de poder, o questionamento do multilateralismo tradicional e a ênfase em interesses estratégicos, como segurança no Ártico e acesso a minerais críticos. A Groenlândia, o Canadá e a China apareceram como elementos-chave dessa narrativa, que combina discurso duro para o público doméstico com sinais calculados aos mercados e parceiros internacionais.

A entrevista também ressaltou os limites dessa postura. Pressões internas, eleições de meio de mandato, decisões da Suprema Corte e o custo político de confrontos diretos com aliados europeus funcionam como freios à escalada retórica. Para potências médias como o Brasil, o cenário reforça a importância da diversificação de parcerias, do fortalecimento de fóruns alternativos e da busca por maior autonomia estratégica — como evidenciado pelo acordo Mercosul–União Europeia.

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