Em entrevista ao Jornal da Record News no dia 21 de janeiro, veiculada pelo R7.com, o professor Roberto Uebel, docente de Relações Internacionais da ESPM, avaliou o primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump e destacou um ponto central: a maior preocupação do presidente norte-americano, neste momento, é a política doméstica — em especial, o risco de um processo de impeachment.
Segundo Uebel, as eleições de meio de mandato, previstas para novembro de 2026, são decisivas para a governabilidade de Trump. A busca por maioria republicana na Câmara e no Senado não apenas condiciona a agenda legislativa, como também funciona como um escudo político diante de investigações, julgamentos e pressões institucionais herdadas do período eleitoral e de controvérsias recentes.
A entrevista também comparou os dois mandatos. Diferentemente do primeiro governo, marcado por instabilidade e alta rotatividade no gabinete, o segundo se caracteriza por maior controle da máquina pública e conhecimento do funcionamento institucional. Na política externa, Uebel observou uma postura mais assertiva e instrumental, com o uso de tarifas e pressões econômicas para atender objetivos domésticos — o que tensiona o direito internacional e reduz, na prática, o protagonismo do Congresso e da Suprema Corte.
A análise reforça como, no segundo mandato, Trump conecta de forma direta política interna e ação externa, redefinindo prioridades e ampliando os dilemas para a governança democrática e para a inserção dos Estados Unidos no sistema internacional.



