Groenlândia, OTAN e política doméstica dos EUA: análise do professor Gunther Rudzit

No dia 20 de janeiro de 2026, o professor Gunther Rudzit, docente do curso de Relações Internacionais da ESPM, concedeu entrevista à Rádio Eldorado (Jornal Eldorado) para analisar as implicações geopolíticas das ameaças do presidente Donald Trump de impor tarifas e ampliar a pressão sobre países europeus contrários à anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos.

Ao longo da entrevista, Rudzit destacou que, embora o discurso norte-americano seja marcado por forte retórica e coerção política, não há, até o momento, sinais concretos de uma escalada militar iminente. Segundo o professor, muitos dos interesses estratégicos dos EUA na Groenlândia — como acesso militar ao Ártico e a minerais críticos — já estão, em grande medida, garantidos, o que reduz a racionalidade de uma ação militar direta.

Um ponto central da análise foi a conexão entre política externa e política doméstica norte-americana. Para Rudzit, o endurecimento do discurso internacional coincide com momentos de pressão interna sobre o governo Trump, sugerindo uma estratégia de externalização de crises para recompor apoio político doméstico. Nesse sentido, a Groenlândia surge mais como instrumento simbólico e político do que como objetivo estratégico imediato.

No plano internacional, o professor avaliou que um rompimento efetivo com a OTAN ainda é improvável, sobretudo devido às resistências internas no Congresso norte-americano e dentro do próprio Partido Republicano. No entanto, alertou para uma mudança relevante na postura europeia: os governos da União Europeia demonstram menor disposição ao apaziguamento e maior inclinação ao enfrentamento político e comercial, inclusive por meio de possíveis retaliações.

Por fim, Rudzit ressaltou que o Fórum Econômico Mundial de Davos poderá abrir espaço para iniciativas diplomáticas indiretas, lideradas especialmente por países europeus, capazes de reduzir tensões e oferecer saídas negociadas que permitam aos Estados Unidos recuar sem perda explícita de prestígio.

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