Em entrevista concedida à CNN Brasil, exibida em 23 de janeiro de 2026, o professor Gunther Rudzit, da ESPM, analisou os desdobramentos das negociações de paz entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia realizadas em Abu Dhabi. O encontro marcou a primeira vez, desde o início do conflito, que representantes dos três países se sentaram à mesma mesa para discutir uma possível saída diplomática para a guerra.
Segundo o professor, embora o simples fato da reunião represente um avanço simbólico, as condições políticas e estratégicas indicam limites claros para resultados concretos no curto prazo. A composição das delegações — com forte presença de autoridades militares e ausência de figuras centrais da diplomacia russa — sugere que o foco permanece no controle territorial e na lógica do conflito, e não em um acordo político abrangente.
Rudzit destacou que a principal barreira continua sendo a questão territorial no leste da Ucrânia, especialmente o Donbass. As posições de Moscou e Kiev seguem inconciliáveis: a Rússia exige áreas que não conseguiu ocupar integralmente por meios militares, enquanto a Ucrânia rejeita qualquer cessão que comprometa sua soberania e integridade territorial. Soma-se a isso a desconfiança ucraniana em relação a garantias de segurança futuras, sobretudo diante do histórico de descumprimento dos acordos de Minsk.
Outro ponto central da análise foi o papel dos Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump. Para o professor, a postura norte-americana não é a de um mediador neutro, o que aumenta a incerteza sobre o processo. A imprevisibilidade de Trump, aliada às tensões com os aliados europeus, torna o cenário ainda mais complexo e dificulta a construção de um consenso duradouro.
A entrevista reforça que, apesar das iniciativas diplomáticas, a guerra tende a se prolongar, condicionada à capacidade da Ucrânia e da Europa de sustentar o esforço político, econômico e militar em um contexto de fragmentação do apoio internacional.



