O coordenador do curso de Relações Internacionais da ESPM, Professor Alexandre Uehara, participou do Jornal da Cultura no dia 17 de março para analisar a intensificação dos conflitos no Oriente Médio e os desdobramentos geopolíticos envolvendo Estados Unidos, Irã, Israel e países europeus.
Durante a entrevista, Uehara destacou um elemento central do cenário atual: a dificuldade dos Estados Unidos em consolidar apoio internacional após o início do conflito. Segundo o professor, a tentativa do presidente Donald Trump de mobilizar uma coalizão para proteger o Estreito de Ormuz evidencia uma fragilidade estratégica, especialmente considerando que a ofensiva foi iniciada sem coordenação prévia com aliados europeus. Esse movimento ajuda a explicar a recusa de países como Reino Unido e Alemanha em se envolver diretamente na guerra.
O especialista também chamou atenção para a ausência de uma estratégia clara de saída do conflito. Embora Estados Unidos e Israel detenham superioridade militar, Uehara ressalta que o Irã tem demonstrado capacidade de resistência e de imposição de custos relevantes, prolongando a guerra e ampliando sua imprevisibilidade.
A entrevista ocorre em um contexto de agravamento da crise, com bombardeios em múltiplas frentes, incluindo Teerã, Beirute e território israelense, além da elevação do preço do petróleo no mercado internacional. A restrição imposta pelo Irã à navegação de embarcações ligadas a seus adversários no Estreito de Ormuz reforça os riscos para o comércio global e para a segurança energética.



