O professor de Relações Internacionais da ESPM Gunther Rudzit foi ouvido pelo Correio Braziliense em reportagem publicada em 26 de agosto sobre a reação da China ao novo pacote de sanções anunciado pelo governo de Donald Trump contra o Irã e seus parceiros econômicos.

Na análise, Rudzit destacou que Beijing desenvolveu mecanismos para reduzir sua vulnerabilidade ao sistema financeiro baseado no dólar, inclusive por meio da utilização do yuan em transações envolvendo o petróleo iraniano. Entretanto, ressaltou que esses mecanismos ainda não representam uma alternativa integral à centralidade financeira dos Estados Unidos: a China possui capacidade de resistência, mas permanece exposta aos custos de uma eventual escalada.
Para o professor da ESPM, as novas sanções devem ser compreendidas dentro de uma disputa mais ampla entre Estados Unidos e China, que envolve tarifas, tecnologia, inteligência artificial, cadeias produtivas e competição estratégica. Nesse contexto, a ameaça de sanções contra grandes instituições financeiras chinesas pode funcionar também como instrumento de pressão e negociação antes do encontro previsto entre Donald Trump e Xi Jinping.
Rudzit observou ainda que a reação de Pequim expressa uma contestação mais ampla ao alcance extraterritorial das sanções norte-americanas e à capacidade de Washington de utilizar a centralidade do dólar para influenciar as relações econômicas de terceiros países.



