Trump, unilateralismo e a crise da ordem internacional: análise do Prof. Fábio Andrade

Em participação ao vivo no programa Visão Crítica, da TV Jovem Pan News, exibido em 20 de janeiro de 2026, o professor Fábio Andrade, docente de Relações Internacionais da ESPM, analisou o primeiro ano do novo governo Donald Trump e seus impactos sobre a política externa dos Estados Unidos e a arquitetura da ordem internacional contemporânea.

Ao longo do debate, Andrade destacou que a intensidade dos acontecimentos em apenas doze meses de governo não é casual, mas expressão de tendências estruturais mais profundas do sistema internacional. Para o professor, Trump não deve ser compreendido como a causa isolada da instabilidade atual, mas como o resultado político de um longo processo de insatisfação social, desigualdade econômica e ruptura do consenso liberal construído no pós-Segunda Guerra Mundial, especialmente no interior da sociedade norte-americana.

Um ponto central de sua análise foi o caráter abertamente antissistêmico do atual governo. Diferentemente do primeiro mandato, Trump retornou ao poder com uma equipe mais alinhada ideologicamente e disposta a implementar políticas que confrontam diretamente normas, instituições e práticas consolidadas da política internacional. Essa postura se manifesta tanto na comunicação direta do presidente — que contorna canais institucionais tradicionais — quanto em ações externas que tensionam alianças históricas, como a OTAN, e desafiam princípios fundamentais do direito internacional.

Segundo Andrade, a política externa trumpista também deve ser lida à luz da crescente rivalidade com a China. A percepção de ameaça à hegemonia norte-americana leva os Estados Unidos a adotar uma estratégia mais agressiva e unilateral, marcada por tarifas, pressões diplomáticas e iniciativas que fragilizam organismos multilaterais criados a partir de 1945. Nesse contexto, propostas como a criação de estruturas paralelas às Nações Unidas sinalizam uma tentativa de “refundação” da ordem internacional sob liderança exclusiva de Washington.

A intervenção do professor reforçou que o mundo vive um momento de aceleração histórica, no qual regras, instituições e consensos são colocados em xeque. Para Andrade, compreender esse cenário é essencial não apenas para analisar os Estados Unidos, mas também para avaliar os desafios enfrentados por países como o Brasil, cuja inserção internacional depende diretamente da estabilidade do direito internacional e do multilateralismo.

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