Violência, imigração e crise constitucional nos EUA: análise do Prof. Leonardo Trevisan

Em entrevista ao Jornal das Dez, da GloboNews, exibida em 24 de janeiro de 2026, o professor Leonardo Trevisan, docente de Relações Internacionais da ESPM, analisou a morte de um cidadão norte-americano durante uma ação de agentes do ICE (Immigration and Customs Enforcement) e os impactos políticos, jurídicos e institucionais do episódio para a democracia dos Estados Unidos.

Ao comentar o caso de Alex Perde, enfermeiro de UTI que trabalhava com veteranos de guerra e que foi morto a tiros por agentes de imigração, Trevisan destacou a gravidade do ocorrido por se tratar de um civil sem antecedentes criminais, em um país que se define historicamente pela centralidade do Estado de Direito. Para o professor, cenas desse tipo remetem mais a contextos autoritários do que ao funcionamento esperado da maior democracia do mundo.

Um dos pontos centrais da análise foi a atuação do ICE. Segundo Trevisan, os agentes de imigração não possuem as mesmas prerrogativas legais das forças policiais tradicionais, operando a partir de mandatos administrativos e não de uma estrutura penal clássica. Isso levanta sérias questões constitucionais, especialmente em relação à Quarta Emenda, que protege a inviolabilidade do domicílio — princípio considerado sagrado na cultura política norte-americana.

O professor também relacionou o aumento da violência e das operações do ICE à estratégia política do presidente Donald Trump. De acordo com Trevisan, há duas leituras possíveis: a tentativa de mobilizar uma base eleitoral radicalizada em meio à queda de popularidade, ou a criação deliberada de crises sucessivas para deslocar o debate público de temas sensíveis, como inflação e custo de vida.

Por fim, a entrevista apontou para a crescente judicialização do tema. Investigações federais, ações de procuradores estaduais e, possivelmente, uma manifestação da Suprema Corte tendem a definir os limites legais das ações do ICE. Para Trevisan, o desfecho desse processo será decisivo não apenas para a política migratória, mas para a preservação dos fundamentos democráticos dos Estados Unidos.

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