Trump, ano 2: imprevisibilidade, América Latina e a lógica das grandes potências — análise do professor Roberto Uebel

No dia 20 de janeiro de 2026, o professor Roberto Uebel, docente do curso de Relações Internacionais da ESPM e coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios Americanos (NENAM), concedeu entrevista ao G1 analisando o primeiro ano do retorno de Donald Trump à Casa Branca e as perspectivas para o segundo ano de governo.

Segundo Uebel, após cumprir grande parte das promessas de campanha em 2025, Trump inaugura em 2026 uma fase ainda mais imprevisível, marcada pelo endurecimento da política migratória, pela intensificação do protecionismo e por uma releitura da Doutrina Monroe. Nesse novo contexto, a política externa norte-americana tende a assumir contornos mais assertivos e nacionalistas, combinando expansão de influência regional com contenção de rivais estratégicos.

Um dos pontos centrais da análise é a prioridade conferida à América Latina, não apenas como espaço tradicional de influência dos Estados Unidos, mas como parte de uma estratégia mais ampla voltada ao Ocidente. Para Uebel, Trump opera a partir de uma visão de mundo estruturada em três grandes potências — Estados Unidos, China e Rússia —, retomando o nacionalismo econômico e uma leitura multipolar do sistema internacional centrada na competição entre esses polos de poder. Nesse sentido, a América Latina aparece como território-chave para limitar a presença chinesa e russa, ao mesmo tempo em que reforça a liderança norte-americana sobre o hemisfério.

No plano doméstico, o professor destacou que Trump deverá dobrar a aposta nas políticas anti-imigração, deslocando o foco da deportação em massa para o fechamento do sistema de imigração legal, com restrições severas à concessão de vistos. Essa estratégia, além de dialogar com sua base eleitoral, busca reagrupar um Partido Republicano fragmentado às vésperas das eleições de meio de mandato de 2026, nas quais o presidente tende a desempenhar papel central em uma campanha agressiva.

Por fim, Uebel chamou atenção para a combinação entre imprevisibilidade estratégica e centralização decisória como marca do segundo ano de governo. Ao mesmo tempo em que avança sobre temas sensíveis — como imigração, política externa e regulação da inteligência artificial —, Trump utiliza a incerteza como instrumento político, tanto no plano interno quanto internacional.

A entrevista completa está disponível neste link: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/01/20/trump-ano-2-analistas-preveem-presidente-dos-eua-ainda-mais-imprevisivel-em-2026.ghtml

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